Nota técnica da Secretaria de Saúde de Teresópolis

Nota técnica da Secretaria de Saúde de Teresópolis
Nota técnica da Secretaria de Saúde de Teresópolis

NOTA TÉCNICA DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE TERESÓPOLIS SOBRE DO TRATAMENTO PRECOCE CONTRA A COVID-19

Teresópolis, 10 de março de 2021

Até o momento não há comprovação científica sobre a eficácia de tratamento precoce ou profilaxia medicamentosa para a Covid-19. Atualmente, as principais sociedades médicas e organismos internacionais de saúde pública não recomendam o tratamento profilático, preventivo ou precoce com medicamentos, tais como a OMS (Organização Mundial da Saúde), a FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora de medicamentos e alimentos dos EUA, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), órgão de saúde dos EUA, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), entidade reguladora vinculada ao Ministério da Saúde.

Ou seja, apesar de divulgações em diferentes mídias sociais, diversas substâncias ainda estão sendo estudadas contra o novo coronavírus e a maioria delas não tem apresentado resultados promissores para tratar ou prevenir a infecção. Abaixo, um panorama das principais substâncias e dos estudos em andamento:

Corticosteroides. Desde setembro, a OMS recomenda para o tratamento de pacientes em estado grave e crítico o uso de corticosteroides, como dexametasona e prednisona. A recomendação foi implementada após o projeto Recovery, maior ensaio clínico do Reino Unido, mostrar que, para pacientes com ventiladores mecânicos, o tratamento reduziu a mortalidade em quase um terço e, para os que requerem apenas oxigênio, caiu em cerca de um quinto. No Brasil, médicos já têm receitado corticosteroides para pacientes graves com Covid-19.

Cloroquina e hidroxicloroquina. Apesar do uso autorizado no Brasil para tratar Covid-19, a cloroquina e sua derivada a hidroxicloroquina continuam sem resultados satisfatórios em pesquisas para tratar a enfermidade. Em junho de 2020, o fármaco foi retirado do Solidarity Trial, programa de pesquisas com remédios, coordenado pela OMS com 21 países, por não ter apresentado redução na mortalidade de pacientes hospitalizados. A última publicação feita pelo Recovery, em outubro, também demonstra ineficácia para tratar a Covid-19. A droga tem comprovação científica para tratar malária, lúpus e artrite reumatoide.

Ivermectina. Indicada para tratar verminoses e infestação de ácaros e insetos, como o piolho, a droga não tem evidências comprovadas de que pode ser benéfica para tratar a Covid-19. Estudos clínicos randomizados com grupos de controle já feitos não mostraram resultados positivos. No momento, não existem evidências que comprovem a eficácia e segurança e que sustentem o uso, em humanos, de ivermectina (em qualquer de suas formulações ou doses, isoladamente ou associada a outras medicações) na profilaxia ou no tratamento – em qualquer fase da doença – da Covid-19, não sendo possível recomendar o uso dessa medicação.

Azitromicina. Resultados preliminares divulgados pelo Recovery em 14 de dezembro apontam que a droga não trouxe benefícios a pacientes com Covid-19. Como é um antibiótico, ela atua contra bactérias, não contra vírus, caso do Sars-CoV-2, causador da Covid-19. De acordo com a OMS, os antibióticos podem ser usados por pacientes com novo coronavírus quando há algum caso de coinfecção por bactérias.

Remdesivir. Em novembro, a OMS desaconselhou o uso do antiviral remdesivir por não ter apresentado resultados significativos na diminuição da mortalidade nem na redução do tempo de internação. Além disso, o custo é elevado. No entanto, o antiviral é usado nos EUA desde outubro em pacientes internados.

Nitazoxanida. Em outubro de 2020, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação divulgou que o vermífugo nitazoxanida havia demonstrado eficácia contra Covid-19 por reduzir a carga viral. O estudo foi publicado em pré-print, quando ainda precisa de revisão de pares, e recebeu críticas de outros pesquisadores por apresentar falhas, como a exclusão de voluntários que apresentaram eventos adversos. Além disso, a droga ainda não aparece nos protocolos do Ministério da Saúde. Não há, no mundo, nenhuma comprovação de seu uso, em estudos de boa qualidade, capaz de garantir a eficácia do medicamento contra a doença.

Como vemos, não há tratamento precoce ou profilático para Covid-19, porém a busca precoce pelos serviços de saúde, com medidas efetivas de controle dos casos, internação precoce com medidas de apoio e oxigenioterapia, podem impactar positivamente no desfecho clínico da doença.

Os profissionais da saúde que realizarem atendimentos médicos, acorde ao preconizado pelo Conselho Federal de Medicina, têm a autonomia necessária para avaliar quadro clínico e realizar a melhor prescrição. Entretanto, o princípio primum non nocere ou primum nil nocere (“primeiro, não prejudicar”), também conhecido como princípio da não-maleficência, deve ser referência para os profissionais de saúde, no que se refere à necessidade de evitar riscos, custos e danos desnecessários aos pacientes ao fazer exames, diagnosticar, medicar ou fazer cirurgias.

A prática médica deve ser realizada em acordo com seu paciente, sempre buscando a melhor opção terapêutica e a melhor resposta clínica para cada caso e patologia diagnosticada.

O efeito terapêutico de uma droga pode ser seguido de efeitos adversos. Assim, as possibilidades terapêuticas, baseadas na melhor evidência científica disponível, devem ser conduzidas pelo médico a bem do seu paciente.

Caso você apresente sintomas ou tenha tido contato com paciente suspeito ou confirmado para a Covid-19, procure imediatamente um dos Centros de Atendimento para receber orientações e atendimento específico.

As orientações para a prevenção continuam sendo distanciamento físico, uso de máscaras, presença em ambientes bem ventilados e higienização das mãos.

Uma opção segura e, cientificamente comprovada, são as vacinas, que têm o potencial de evitar a Covid-19 grave, reduzindo internações hospitalares, necessidade de oxigenioterapia, admissões em unidades de terapia intensiva e óbito e, assim, controlarmos a pior crise sanitária dos últimos cem anos.

Bibliografia

  1. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Recomendações da SBMFC para a APS durante a pandemia de Covid-19 –  Grupo Técnico para Recomendações da SBMFC para a APS durante a Pandemia de COVID-19, 23 de maio de 2020:53p. Disponível em:https://www.sbmfc.org.br/wp-content/uploads/2020/06Recomendações-da-SBMFC-para-a-APS-durante-a-Pandemia_2versão-de-COVID-19.pdf
  2. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Posicionamento da SBPT acerca da profilaxia e tratamento da COVID-19 Brasília, 29 de junho de 2020:2p. Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/wp-content/uploads/2020/06/Profilaxia-e-tratamento-COVID-19.pdf
  3. Rede CoVida. Nota Técnica 06/2020 Ivermectina não deve ser indicada para tratamento de Covid-19 Faltam evidências que fundamentem o uso do medicamento.Disponível em:https://covid19br.org/main-site-covida/wp content/uploads/2020/06/Nota-Tecnica-06-ivermectina.pdf
  4. Caly L, Druce JD, Catton MG, Jans DA, Wagstaff KM. The FDA-approved drug ivermectin inhibits the replication of SARS-CoV-2 in vitro.Antiviral Res. 2020;178:104787. Disponível em:https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7129059/
  5. Conselho Federal de Medicina.Conceptions of the principle of non-maleficence and its relations with prudence. Disponível em:  http://revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/view/717
  6. Sociedade Brasileira de Infectologia. NOTA RELEVANTE *Orientação da Associação Médica Brasileira e da Sociedade Brasileira de Infectologia sobre vacinação e tratamento farmacológico preventivo. São Paulo,19 de janeiro de 2021. Disponível em: https://amb.org.br/wp-content/uploads/2021/01/SBI-AMB-Vacinacao-e-tratamento-precoce-18jan2021.pdf

Fonte: Assessoria de Comunicação de Teresópolis